No tempo do tambor, no dedilhar das cordas e na beleza da voz, elas criam. Fazem arte. Cantam brincando com delicadeza e força, e usando muito mais que a garganta: mergulham com alma, expressão, mente e coração.

Ah, esses corações... Pulsam no ritmo da Mãe Natureza, fazendo nossos pés baterem forte no chão, nossas saias balançarem, nossos cabelos bagunçarem e nosso espírito transbordar de plenitude.

Belíssimas são aquelas que elevam seus cantos para nos relembrar que somos vida, abundância, ar, água, terra e fogo. E felizes são aquelas que as escutam e se deixam entregar nesse bailado.

Foi pensando nisso que resolvi escrever este texto.

No Brasil e ao redor de todo o planeta, mulheres vêm lançando projetos musicais, repletos de liberdade e leveza, que exaltam suas conexões com a Natureza. Inspiradas pela ancestralidade, por jornadas xamânicas e, claro, pela divina feminilidade dentro e em volta de cada uma, elas unem elementos culturais de seus locais de origem à devoção pela Grande Mãe. E o resultado disso tudo são belas composições.

Quem já vive o Sagrado Feminino, e participa de Círculos de Mulheres, provavelmente está familiarizada com alguns cantos que costumamos entoar. Em sua maioria, canções brasileiras. Mas, lá fora, assim como em nosso país, hermanas talentosas e encantadas também utilizam a música como forma de expressão plena da criatividade feminina.

Após tempos ouvindo, meditando, cantando junto e dançando, resolvi eleger as cantoras estrangeiras cujas obras mais tocam a minha alma. Embora esta primeira matéria seja dedicada às artistas internacionais, em breve será a vez das nossas deusas brasileiras.

A lista abaixo foi feita com muito carinho, e meu único pedido é que você a receba carinhosamente também. Se sentir de dançar, dance. Se sentir de fechar os olhos, feche. Se sentir de meditar, medite. Se sentir de chorar, chore. Se sentir de sorrir, sorria. Se sentir de florescer – e eu espero que sim –, floresça.

Que você se permita sentir.

Peia

Começo a lista com a americana Peia Luzzi, nascida nas colinas de Connecticut. Seu canto sagrado traz influências folclóricas, célticas e búlgaras; e o tom cristalino e poderoso da sua voz dão uma profundidade única às músicas.

O que escutar?
Em 2015, a cantora lançou o álbum “Four Great Winds: A Global Voyage into Sacred Song”, que possui uma sequência sublime de canções e está disponível no Spotify. Destaque para a faixa “Marchi”, na qual fala sobre o poder curativo da Mãe Terra.

Laboratorium Pieśni

O Laboratorium Pieśni é um grupo polonês, da cidade de Gdańsk, formado por estudantes de música. Entoando um canto à capela marcante e geralmente acompanhadas por fortes tambores, essas mulheres resgatam influências de cantos antigos dos Bálcãs, Escandinávia, Polônia e outros lugares.

O que escutar?
O canal do grupo no Youtube está repleto de músicas e clipes de alta qualidade. Destaque para o rearranjo da tradicional canção da Bielorrússia “Sztoj pa moru”, que significa “pelo mar”.

Assistir videoclipe

Ayla Nereo

Sem esquecer suas raízes nas composições, a californiana Ayla Nereo inova na hora de cantar a vida e os elementos da Natureza – misturando elementos do folk e da eletrônica, e incluindo deliciosos loopings vocais.

O que escutar?
Embora já tenha lançado vários álbuns excelentes, o meu favorito é o “Hollow Bone”, que está disponível no Spotify. Destaque para a faixa e letra lindíssima de “Let it In”.

Paloma del Cerro

A argentina Paloma del Cerro, de Buenos Aires, traz um som ousado e alegre, que mescla sons da floresta com ritmos ancestrais de seu país e influências do pop contemporâneo. Bem diferente e dançante!

O que escutar?
O legal da cantora é que suas músicas são bem distintas uma das outras, então vale à pena escutar faixas dos diferentes álbuns (estão no Spotify). Destaque para a canção “Gozar Hasta Que Me Ausente”.

Rising Appalachia

A dupla americana Rising Appalachia é formada pelas irmãs multi-instrumentistas Leah e Chloe Smith. Independentes e extremamente talentosas, essas mulheres de Atlanta retomam a ancestralidade em um mix de world, folk e soul music. O resultado é um som simples, roots e bem gostoso de se ouvir.

O que escutar?
Nos 12 anos de trajetória, as irmãs Smith produziram ótimos álbuns (disponíveis no Spotify). Destaque para a faixa “Medicine”, do disco “Wider Circles”.

Presente de despedida

Para finalizar a lista de sugestões, deixo uma bonus track especial para você dançar, sozinha ou entre mulheres: Spiraling Into the Center, que faz parte de uma coletânea de cantos xamânicos produzida em 1994.

Desejo, de coração, que você tenha um bom momento escutando essas indicações. E gostaria muito receber algumas suas também!

Paz e Luz!


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